Dois fatos: O diretor/produtor Paul W. S. Anderson adora videogames. É um pouco melhor que o diretor Owen Boll. O que não é um mérito, se lembrarmos que seu colega e também gamemaníaco Boll é considerado o pior diretor do mundo. A vantagem do jovem W.S. Anderson é que ele escolhe melhor sua equipe técnica para adaptar as franquias dos jogos. O diretor de Resident Evil (2002), Mortal Kombat (1995) e DOA: Dead or Alive (2006) traz às telas a adaptação (não declarada) do clássico sucesso “Rock n’ Roll Racing” da era 16 bits.
Na verdade, “Corrida Mortal” (Death Race, 2008) é a refilmagem do filme homônimo da década de setenta. A melhor definição é “inspirado”, já que se aproxima mais do game citado do que do filme B pouco conhecido.

Com uma introdução incorreta (que chega a mostrar o título duas vezes) somos apresentados ao personagem clichê Jensen Ames, um bom marido que cai em uma armadilha e é preso quando sua mulher é assassinada. Sua habilidade nas pistas fazem com que assuma a identidade do mascarado Frankstein, célebre piloto morto da Corrida Mortal, um reality show produzido por uma penitenciaria privada. Warden Hennessey (Joan Allen), a diretora do presídio, promete a soltura do vencedor do Gran Prix fúnebre. W.S. Anderson segue a risca a cartilha “vilões estereotipados: modo de fazer”.
Protagonizado pelo canastrão Jason Stathan, Corrida Mortal segue a tendência iniciada por Velozes e Furiosos. Ocorre que a fórmula mulheres+carros já não atrai tanto quanto antes. A solução de W.S. Anderson foi adicionar armas aos carros resultando em uma verdadeira carnificina com muitos palavrões e pegas.
O roteiro pífio do filme é compensado pela boa fotografia dessaturada da dupla de diretores de arte Nigel Churcher e Michele Laliberte, que carrega bastante no cinza do metal polido. Muitos jogos de luzes e sombras dão o tom sóbrio do ridículo anunciado. Os efeitos sobressaem mesmo com a trucagem barata dos filmes da década passada. A clássica infeliz cena do helicóptero disparando um míssil que parece napalm vemos aqui.

Lembrando que o tema reality show com prisioneiros lutando até a morte já foi explorado pelo lixo “Os Condenados” (The Condemned, 2007). Como não poderia deixar de ser, há as mulheres! Descaradamente a inclusão das beldades serve para aumentar a audiência. Tanto que é dito até no filme. Sua função insignificante na trama é enfeitar e explicar ao espectador as regras do jogo. É aí que começa o primeiro problema de Corrida Mortal. É um filme muito didático, subestimando a inteligência do público alvo. Personagens que pensam em voz alta e narram suas ações são frequentes. Há o cúmulo de Jensen Ames/Frank (Jason Stathan) sonhar com um sinal que iria identificar o assassino de sua mulher no desenvolver da trama. Como se não estivesse óbvio o bastante, serviu para relembrar o espectador. Há também um narrador e as cutscenes introdutórias de cada personagem, reforçando o visual videogame do filme.
O final acumula vários buracos entre eles o resgate da filha, a absolvição da co-piloto e a amizade subta de rivais. Um bom filme técnico de roteiro fraco onde nem o trio de alívio cômico do cockpit escapa de bizarrices.
Para quem busca ação sem pretensões com muita adrenalina e cenas bem violentas esta é uma razoável pedida.
veja o trailer do filme que inspirou “Corrida Mortal”:
Nota do Cinema Escrito: 


















abril 23rd, 2010 às 16:36
Amei o filme…AdoroOo