“Segurando as Pontas” (Pineapple Express, 2008) é uma paródia de filmes oitentistas de ação com personagens inocentes e estúpidos em uma história movida à maconha. Uma trama politicamente incorreta com a cara de Seth Rogen.
Rogen, que além de ator, dublador, diretor e roteirista, assina o texto desse filme junto com Judd Apatow, especialista no tipo de comédia polêmica que atrais em sua maioria, adolescentes do sexo masculino. O resultado é um roteiro que alfineta os clichês do cinema policial.

Seth Rogen supera Adam Sandler e Ben Stiller no tipo de personagem loser. A vantagem para ele e a comédia é que ele assume sua faceta de fracasso, insistindo em permanecer nessa condição por quase, senão todo filme. É assim no ótimo “Ligeiramente Grávidos” (Knocked Up, 2007) e em Superbad – É Hoje (Superbad, 2007).
Depois de uma seqüência de abertura dispensável. Vemos Rogen encarnando o papel de Dale Denton, uma espécie de oficial de justiça viciado em maconha que ora ou outra precisa se disfarçar para entregar suas intimações. Une-se pelo seu vício a Saul Silver, seu traficante pessoal interpretado por James Franco – que tira todo o ar de bom moço de seu retrospecto. O filme O sentimento entre Saul e Denton também é divertido. Quase amoroso.
A aventura começa quando Denton presencia um assassinato e se refugia na casa de Saul. Daí em diante são muitos gritos, neuras, fumaça e diálogos sem sentidos. Os vilões são estereótipados no melhor (ou pior) dos cop movies das décadas passadas. Uma experiência que o já citado Ben Stiller tentou em “Starsky & Hutch” (2004). A violência truculenta é tão gratuita que até os personagens tiram onda das bizarrisses.
Segurando as Pontas não é tão engraçado quanto os antecessores de Rogen, mas é tão polêmico quanto. Tem maconha do começo ao fim. Talvez esse seja uns dos problemas do filme já que em seu primeiro ato, é chato, arrastado e sonolento. O segundo ato, com suas divagações de chapados, a dupla promove diálogos nada cômicos, mesmo que tenham sido estudados para serem engraçados e naturais. Saul repete muito as frases de Denton, transmitindo neurônios de menos em cenas com tempo demais. Quando Apatow e Rogen tenta planejar as gags, é preciso um esforço do espectador para acompanhar a tirada.

O relacionamento, pouco provável, de Denton com sua namorada rende bons momentos. Mas é com o terceiro integrante, Red, que essa comédia tem o ápice. Danny McBride, revelado em The Foot Fist Way (2006), interpreta Red, o mais lúcido da dupla. De roupão – homenagem ao seu outro filme, onde interpreta um lutador – é o típico personagem que você teria nojo ao cumprimentar. Ele é um dos poucos amigos que Saul tem, e se mete nessa aventura ao ligarem seu nome ao da vítima assassinada.
Os protagonistas, como estão sempre fumando maconha, tentam raciocinar dentro de suas limitações intelectuais momentâneas. Contam com a sorte para o desfecho de tudo. Lembra-se da expressão “Deus protege as crianças e os bêbados”… é assim.
Nada, no filme todo, é mirabolante. A cena do resgate de Denton da viatura, por exemplo, onde tudo acontece de forma muito simples. Saul é atropelado, dá a volta do lado oposto do motorista que o atropela, entra no carro e sai dirigindo.
Outrora pegam seus celulares (modernos para a época), tendo seus próprios repertórios de filmes de espionagem para o plano, deduzem que serão rastreados e jogam fora. Simples. Ou quando pensam em se esconder em uma lixeira em meio a uma perseguição. Sempre será a solução mais óbvia. Mais uma homenagem aos clichês dos thrillers das décadas passadas.
Baseando-se na idéia de que o riso é um mecanismo automático acionado quando vemos algo inesperado, fora dos padrões, então esse filme vai ao oposto da teoria. Sabemos o que irá acontecer. A edição é didática, preparando a cena para o que está por vir. Assim, mesmo sabendo, esboçamos um sorriso.
Por exemplo, no final o espectador – e acertadamente os protagonistas – espera uma grande explosão. O diretor David G. Green brinca com o fato, atrasando a “grande explosão final”. Fica a sensação que sabíamos o que iria acontecer de tão clichê que é. São estes detalhes que mostram que tudo é feito consciente. O foco aqui é como os heróis irão passar pela cena e o quão estúpido será. O que no saldo, infelizmente erra mais que acerta, principalmente no primeiro ato.
Entre esses erros e acertos Seth mostra no final de quase duas horas que é preciso ser muito inteligente pra se fazer um idiota com um personagem chapado que às vezes diverte nesse fraco filme “Seth Rogen style”.
Nota do Cinema Escrito: 


















Comentários Recentes: