Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Postado em: agosto 18, 2009Categoria(s): Análises, Trailers
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“Harry Potter e o Enígma do Principe” (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009) é o segundo filme pelas mãos David Yates e quinto na franquia. Tão cedo começa e já revela o abismo de estilos comparado aos seus antecessores. Yates, que também dirigiu o mediano “Harry Potter e a Ordem da Fenix” (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007), cresce junto ao público, mostrando uma experiência visual rica equiparável aos livros J.K. Rowling. Se “Ordem da Fenix”, o de mais fraca história, era um filme funcional, de transição para a fase adulta, “O Enigma do Príncipe” já é amadurecido com uma temática densa e lúgubre.
Yates deve dividir o sucesso de crítica com Steve Kloves, que assim como o diretor, esse roteirista teve bastante liberdade criativa transformando de “adaptação” para “versão própria” o extenso livro. Competição, conspiração e contemplação são as palavras-chaves desse quinto filme.

Harry Potter sempre foi rico também em personagens. Dos coadjuvantes aos principais, todos são muito bem desenvolvidos. Nesse o destaque vai para o casal Ron Weasley (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), que perderam espaço no antecessor. São carismáticos em seus confortáveis papéis – que, diga-se de passagem, auxiliados por cinco filmes – tornando-se protagonistas de uma boa trama paralela. Em sua fase adolescente, os personagens têm tantas explosões em hormônios quanto o filme tem de mágica. Então, como era de se esperar, os flertes são a pausa da atmosfera pesada do filme. Tudo é tratado com uma pureza inteligente entre descobertas e frustrações.
Não há como analisar esse filme especificamente sem dizer sobre Alvo Dumbledore, o verdadeiro ator principal da sinopse. Seu interprete, Michael Gambon, é exigido ao extremo por essa história. Dumbledore tem muita presença em cena, alavancando toda emoção e penúria que o cerne. Está sempre com um semblante preocupado. O grande bruxo desvenda junto a Harry a mente de Voldermort, o poderoso vilão.
As cenas iniciais, de Dumbledore buscando “o escolhido“ Harry no metro, lembram Matrix onde o mestre busca seu pupilo. Nessa tomada e as que se sucedem podemos ver o quão o experiente Dumbledore é importante para a trama. Ainda no início, há pinceladas da ameaça que o vilão lorde das trevas representaria no mundo dos bruxos e no mundo real dos normais. Em meio a um turbilhão de eventos, mergulhamos com Harry nos flashbacks da memória de Voldermort e descobrimos o segredo de sua imortalidade.

Por falar em Harry, Daniel Radcliffe mostra suas limitações como ator. Fica evidente que sua escolha privilegia mais a semelhança com o bruxinho do que seu talento como protagonista da franquia bilionária. Radcliffe não agüenta o peso da sinopse e interpreta um Potter decorado que não chora, ri, fala ou é impetuoso quando é preciso. Diante dos outros atores é o menos expressivo. Após o desfecho, sua reação é, no mínimo equivocada, como se nada de tão grave acontecera. Talvez a parcela de culpa venha também do diretor, que parece não forçar todo o drama que o final pedia, tornando-o mais light ao atenuar o sentimento de perda. Já seu desafeto Malfoy (Tom Felton) evolui em uma agradável surpresa. Malfoy tem motivações pessoais ante Harry, potencializadas pela tortura psicológica de Voldermort. É invejoso, inseguro e pertubado.
Para fechar a trupe de personagens, temos ainda Helena Bonham como Bellatrix – Helena é praticamente uma versão feminina de Johnny Depp. Se encaixa bem nesse tipo de papel. Não é a toa que é a preferida do diretor Tim Burton – e Alan Rickman como Snape, dos diálogos calculados e venenosos. Rowling faz com que Snape se pareça bom e mal ao mesmo tempo. A edição manteve essa dúvida muito bem.
Se aqui história agrada, o lado técnico do filme vai bem. A câmera viajante passeia sem cortes pelos belos cenários. O olhar subjetivo, uma boa adição de Yates, esconde-se entre frestas de corredores e até corre entre as plantações – nesse caso não tão bem elaborada. Com um time enorme de diretores de arte, que utilizaram uma paleta com bem menos cores que os anteriores, completados com planos bem profundos e com poucas pessoas em cena. O filme tem um tom sombrio. Os pontos de fuga são tão bem explorados que criam ótimas perspectivas utilizando por diversas vezes o enquadramento “americano”, acima do joelho. Até o jogo de Quadribol deixou de ser ensolarado.

É uma produção bem detalhista. Por exemplo, a casa de Slughorn, personagem de Jim Broadbent, tem ângulos baixos e irregulares dando a sensação de ser caótica, recheada de bagunça – que prontamente é consertada por Dumbledore, uma metáfora para o dom da Ordem do grande bruxo.
No final da película, para os desinformados ainda restam as perguntas “o que fez” ou “foi” esse Príncipe enigmático. Definitivamente para quem só assistiu ao filme não tem a menor importância seu título, visto que, até então, o foco era outro. Ficam muitas dúvidas. Tudo para tencionar o espectador para o que está por vir, pois “Enigma do Príncipe” antecede Relíquias da Morte, o último livro.
Harry Potter 5 tem uma longa duração. Agradará uma faixa etária mais elástica com um elenco quase todo eficiente. Ainda é o melhor filme da franquia em enredo e técnica, ao lado de O Prisioneiro de Azkaban .
Nota do Cinema Escrito: 



















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