Ao patir para produções menos populares, Penélope Cruz seria Antonio Banderas na versão feminina. O rosto espanhol mais conhecido nos filmes mais desconhecidos. Apesar disso, mesmo depois de enlatados como “Spanglish”, ela ainda continua ótima e sensual. A queridinha de Almodóvar aparece agora em “Fatal” (Elegy, 2008), da diretora espanhola Isabel Coixet, de ótimos filmes, entre eles “A vida secreta das palavras” (La Vida Secreta de las Palabras, 2005). O roteiro de “Fatal” foi escrito por Nicholas Meyer, baseado em livro de Philip Roth “Animal Agonizante”.
É verdade que em “Fatal” o trabalho de Coixet está bem mais formatado aos padrões comerciais, mas o potencial dramático, típico dos espanhóis, foi mantido com competência. O filme tem Ben Kingsley, como protagonista e par romântico de Penélope Cruz. Numa história de amor entre uma jovem estudante e um experiente professor.

Embora a atuação de Penélope Cruz, na personagem de Consuela Castillo , seja impecável como de costume, o papel dela depende muito do desempenho de Kingsley, que vive o professor David Kepesh. A dupla funciona em cena e ele não decepciona. Interpreta a insegurança com a idade e a busca da vitalidade ao conquistar várias mulheres simultaneamente muito bem.
Curiosamente, na cena em que Consuela e David se conhecem, há um parêntese para uma abordagem da questão ética e legal. Ele afirma que só pode ter contato pessoal com os alunos no final do período e, para celebrar o final do curso, promove uma festa em sua casa, para a qual convida toda a turma. Essa observação não consegue passar despercebida e incomoda um pouco o expectador, que tenta entender o motivo dessa contextualização no filme. Parece uma forçada de barra.
Fica evidente a caracterização do personagem de Kingsley e os conflitos psicológicos que ele enfrenta com o avanço da idade. A festa promovida por David mostra todos os seus jovens alunos em grupinhos que nem sempre o incluem, conotando a disparidade dos universos intelectuais e emocionais de David e seus alunos.

Durante todo o filme, há uma ênfase nessa insegurança de David, rendendo cenas com crises de ciúmes, mentiras e atitudes neuróticas. Em vários momentos ele imagina Consuela sendo atraída por homens mais novos do que ele. E a edição acerta em em não dar certeza ao espectador sobre a traição ou fidelidade de Consuela. Por outro lado, o filme registra a importância que o sexo tem na vida das pessoas, através da particularização da visão masculina do personagem. Há, por exemplo, uma cena em que ele afirma que ao fazer a amor com uma mulher, o homem se vinga de todas as frustrações da vida. Uma abordagem original.
“Fatal” tem retomadas surpreendentes no enredo e, até mesmo um pouco bruscas para o entendimento do público. Quando se imagina que a história se concentra apenas no relacionamento sexual-afetivo de David e Consuela, fatores externos mudam o rumo dramático do filme, deixando-o mais próximo do estilo espanhol de narrativa.
O livro que baseou o filme é mais erótico e corajoso. Entretanto, Coixet acerta em abordar “Fatal” de forma medida, tornando-o romântico ao traduzir o significado do título original: “Elegia”, ou “Lamentações”. Uma linda história sobre o amor, desejo e filosofia que vale a pena ser vista. O desfecho é emocionante.
Nota do Cinema Escrito: 



















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