Transformers: A Vingança dos Derrotados
Postado em: agosto 12, 2009Categoria(s): Análises, Trailers
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Estréia a sequência de Transformers (2007). Alguém, por favor, diga a Michael Bay que menos é mais. Se “Transformers: A Vingança dos Derrotados” (Transformers: Revenge of the Fallen, 2009) fosse pelo menos 30 minutos mais curto, talvez fosse melhor. Ao chegar no final do filme a sensação de esgotamento mental é inerente. Bay demora arrastadas duas horas para não contar nada.
Com um roteiro escrito por três roteiristas, Kruger, Orci e Alex Kurtzman, adaptado por Michael Bay, era de se esperar uma sinopse mais atraente. O cheiro de carro novo ficou para o primeiro filme, já essa continuação é um filme de ação inchado com apelações comerciais. É permitido à uma história com carros-robôs um melhor tratamento. “A Vingança dos Derrotados” é interessante na primeira hora da película, focado nos humanos. O conjunto da obra que é cansativo.

O jeito Bay de filmagem é fácil de notar nesse filme. Esse diretor tem vícios que na franquia “Transformers ” seriam justificáveis. O problema está na dosagem de seu estilo. São muitos planos em traveling, tomadas abertas, chicotes de câmeras e excessivas giratórias. A insistência destes recursos acaba tirando todo peso dramático da história – que já era pouco. Tudo serve tanto para Michal Bay disfarçar a confusão das tomadas emboladas de lutas e transformações como para alimentar seu egocentrismo.
Este segundo item fica em evidência, mostrando um Bay que é capaz de destruir um porta-aviões como se dissesse a James Cameron que faz melhor que Titanic. Até o ângulo é igual. Além disso, ele referencia seus próprios filmes com homenagens a Bad Boys 2 (cartaz no quarto da faculdade), Armageddon (novamente, asteróides colidindo com a terra) e Pearl Harbor (em várias cenas).
Os efeitos, assim como o antecessor, são belíssimos. Fica no ar a pergunta se 250 milhões de dólares foram baratos para todo o apelo visual. Os personagens robôs ganharam novas expressões com formas bem fluidas e naturais. Os mocinhos Autobots são coloridos, já os vilões Deceptions têm cores mais neutras e formas quase orgânicas. O som ensurdecedor fecha o pacote de mega produção junto com a trilha de Jablonsky que já tinha se tornado um tema marcante desde o primeiro filme.

O início de “Transformers 2” promete. Sam (Shia LaBeouf) agora vive uma pequena mini-trama entrando na vida universitária. É interessante o relacionamento com outros colegas de quarto e sua breve e açucarada relação com a família. Dessa vez, sua namorada Mikaela (Megan Fox) vai ao seu encontro depois que descobre certos acontecimentos. São de longe bons argumentos para essa sequência: Sam começa a ter poderes ao mesmo tempo em que Mikaela descobre um mini-robô espião. Do lado dos carros, vemos Megatron querer voltar ao poder junto com os Deceptions.
Shia LaBeouf é um ator carismático. Lapidado por Steven Spielberg , um dos produtores do filme, é de longe o melhor personagem na sinopse passando todas emoções fielmente. Já Megan Fox, com sua beleza unânime, mostra-se um ótimo adereço. Ela hipnotiza e mascara a falta de talento com dramaturgia. A edição privilegia suas poses dsensuais e é até cômico ver essas cenas com uma continuidade absurda, hora de um jeito, hora de outro. Isso é tão descarado que há uma cena em que troca de roupa com a cumplicidade do público sem qualquer lógica para aquilo ocorrer.
Falando nisso, não dá para entender em quem “Transformers 2” mirou. A classificação do filme é discutível ou por ter John Torturro mostrando sua bunda ou por ter a mãe de Sam consumindo maconha. Há, ainda, espaço para Spitz (Ramon Rodriguez) perguntar se Sam tinha sido “sodomizado” por uma ciborg e uma cena do mini-robô encoxando a perna de Megan Fox.

O agente Simmons (John Turturro) é responsável pelo cômico do filme. Simmons é um personagem exagerado, mas agrada, pois os outros são piores (se considerarmos a dupla de robôs que o acompanha como personagens). Ele enlouqueceu nessa seqüência, tornando-se um blogueiro fanático por mostrar a verdade escondida pelos EUA ao mundo. No primeiro filme era mais contido nas piadas. No segundo, fica mais patético com um humor pastelão que atira piadas em cima de piadas para encaixar uma.
Simmons tem uma função importante no filme: a de servir de ligações, pouco prováveis, para as cenas de ação. Ele diz, por exemplo, “Vamos correr para debaixo do robô gigante, é mais seguro (sic)”, “Preciso SOZINHO atrair as dezenas de máquinas”, “Comandante X, mire a arma secreta Y (que eu conheço) para perto de onde estou”. Cientes de que tudo são desculpas para explodir alguma coisa, os outros robôs tiram sarro do roteiro pouco lógico questionando a sanidade mental de seu parceiro.
Há os coadjuvantes dispensáveis como todo o exército americano, a citada dupla de robôs que parece ter vindo do gueto e Spitz, o amigo hacker de Sam. No mais, é um filme com cenas de ação tão corriqueiras que se tornam enjoativas transformando o filme em um enorme climax. Seu desfecho é bem fraco. No final, não dá para entender por que Optimus Prime (muito bem dublado por Guilherme Briggs na versão brasileira), líder dos Autobots, era tão importante para salvar o mundo, se até então havia perecido em uma luta com dois inimigos. E colocar Sam como “O Escolhido” não foi uma boa escolha para a solução do roteiro.
Nota do Cinema Escrito: 


















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