“O Amante” (The Other Man, 2008) foi lançado diretamente em DVD. E não era para menos. O filme é uma compilação de outras obras, algumas até boas, dentro de um enlatado que trata o tema amor e traição de maneira simplista, com poucos atrativos que justifiquem o trabalho do diretor, que tem sua experiência baseadas em produções e episódios para TV americana.
O roteiro que tem também o diretor Richard Eyre, em parceria com Charles Wood, é baseado em estória de Bernhard Schlink. Peter (Liam Neeson), casado com Lisa (Laura Linney), passa o filme inteiro obcecado em descobrir é o amante de sua esposa. Lisa tinha uma visão mais moderninha sobre o amor e já havia confidenciado a Peter que era perfeitamente natural que ele tivesse sentido desejo por outras mulheres. Peter, no entanto, era extremamente conservador no que se referia ao casamento. Nesse ponto há uma tentativa de contradizer o feminismo comum de que o homem trai mais que a mulher e outros ditos populares sobre a realidade das relações.
Peter e Lisa têm uma filha que faz o gênero rebelde, embora demonstre um forte afeto com o pai. Há, portanto, o retrato da decadência do casamento como instituição, e um consentimento absurdo improvável dos demais personagens, incluindo a filha, que pouca importância tem na sinopse.

Um longo tempo é perdido para que Peter siga todos os passos da esposa, procurando pistas ou qualquer sinal que leve ao seu paradeiro ou do suposto amante. O curioso é que a busca pelo amante de Lisa começa só depois que ela simplesmente desaparece, abandonando tudo, sem deixar vestígios. “O Amante” torna-se uma cópia mal feita desse aspecto presente em “O mistério da libélula” (Dragonfly, 2002) e o ótimo “O jardineiro fiel” (The Constant Gardener, 2005), com outras motivações, bem menos interessantes.
O amante em questão é o estereótipo que ressurge em Antonio Banderas, vivendo o personagem Ralph. Nada diferente do que ele fez em outros filmes como Pecado Original (Original Sin, 2001), no mesmo papel de homem sedutor e irresistível para a alma das mulheres e para a admiração masculina. Uma atuação automática para um filme que se resume em utilizar-se de recursos reciclados de outros filmes, sem criatividade tampouco originalidade. Colocar Ralph e Peter cara a cara jogando xadrez soa como uma piada sem cumplicidade alguma do espectador.
A atuação de Liam Neeson é o atrativo do filme, que se esforça muito para um trabalho um pouco acima da média, destacando-se no pobre enredo. Com uma alternância bem razoável de emoções, passa com facilidade do marido abandonado depressivo até a ira do traído, finalizando com a imagem do homem compreensivo.
Com uma fotografia irregular, o filme ainda tenta criar uma atmosfera misteriosa, mas perde todo o impacto emocional quando mostra o encontro dos rivais. Nesse ponto, o filme perde o seu potencial dramático e, simultaneamente, acaba com todo o suspense, sobrando, muito pouco para justificar a continuidade da história. O desfecho explica o óbvio.
Nota do Cinema Escrito: 



















Comentários Recentes: