“Vida de casado” (Married Life, 2007) é um drama que trabalha com o improvável. A história não é exatamente algo original e utiliza os mesmos dilemas amorosos do casamento e suas obrigações sociais
Evidentemente, a trama tem aspectos mais atuais, embora a ambientação escolhida seja a da 2ª Guerra Mundial. Aliás, o figurino é um dos pontos positivos num filme sem muitas surpresas. E por propor uma análise fria e irônica dos relacionamentos de casais nos anos 40 da América.

A narração em off de Pierce Brosnan é dispensável, a trilha sonora tenta criar de forma artificial um clima de suspense e as atuações são todas apagadas, com exceção de Cooper. Para completar trata-se de um filme arrastado, que estende mais do que devia suas subtramas.
O objetivo do diretor Ira Sachs, sem muita repercussão profissional, é aceitável, embora já bem explorado nos milhares de filmes do gênero. Para não se prender ao romance dramático, ele apela para uma dose de suspense, envolvendo o personagem Harry Allen (Chris Cooper), que procura uma maneira menos dolorosa (e supostamente egoísta) de se livrar da relação com a esposa Pat (Patricia Clarkson) e evitar a humilhação do divórcio. Harry sustenta um caso extraconjugal com Kay (Rachel McAdams), bem mais nova do que ele. A história ganha fôlego quando o caso se transforma em um triângulo amoroso, envolvendo Richard Langley (Pierce Brosnan).
Com essa trajetória já dá pra ter uma idéia do que “Vida de Casado” oferece: traições, amores, rompimentos e reconciliações – a receita básica de qualquer produção do tipo. Nenhum problema com a técnica, mas a falta de um elemento inovador na história coloca o filme na mesmo monte de todos os outros iguais que já foram produzidos – mesmo tendo como diferencial Pierce Brosnan no elenco, que cumpre o seu papel sem grande brilho, ainda que, sua narração em off seja dispensável.

O restante do elenco também não requer méritos extras. As atuações são boas, mas não há, entre elas, nenhuma acima da média. A pitada de suspense manifestada no filme provoca uma ruptura na aparente calmaria romântica, mas não é o suficiente para surpreender o espectador, requisito mínimo para filmes com esse propósito.
O destaque no trabalho de direção aparece em algumas cenas em que ele utiliza imagens metafóricas para remeter ao contexto de agonia ou desespero, como, por exemplo, na cena em que Harry observa uma pilha de papeis voando pela rua, transmitindo a idéia de que as coisas haviam se complicado em sua vida, transferindo o desconforto para o público.
Assim, sem grandes premiações, com um modesto orçamento na casa dos 12 milhões de dólares, “Vida de casado” não proporciona grandes reflexões, mas serve como inspiração para uma análise, ao menos superficial, do comportamento humano perante as peripécias dos relacionamentos amorosos – com ênfase para o peso da idade representado no conflito entre as gerações mais novas e mais antigas.
Nota do Cinema Escrito: 


















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