“Roubando Vidas” (Taking Lives,2004) tinha tudo para ser um thriller original, mas desanda a cada minuto que passa, transformando o filme em uma verdadeira roubada.
Um ralo teria menos buracos que a trama de “Roubando Vidas”, que tem claras referências ao excepcional Seven – Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995), a começar pela abertura. Infelizmente só os primeiros minutos são dignos de comparação. Mesmo com um elenco bom, o diretor nada inspirado D.J Caruso faz o espectador engolir certos absurdos que não colam.

O início promete, com uma embalada trilha sonora de The Clash e U2, somos apresentados ao vilão em uma conversa entre os personagens de Paul Dano e Justin Chatwin (Goku de Dragonball Evolution , 2009). Ambos são muito bem em suas pontas no filme.
Somos jogados para vinte anos depois…
Illeana (Angelina Jolie), uma investigadora do FBI, é chamada para caçar um serial killer que tem como padrão matar pessoas de vidas solitárias e assumir sua identidade. Ao contrário do que o prêmio Framboesa de Ouro diz, Angelina não está tão ruim para receber uma indicação. Seu personagem é forçado, é verdade, mas a culpa é mais do roteiro do que dela. As conclusões e jeito de investigar de Illeana dão sensação de falsidade, a beira do ridículo. Seu jeito de pensar, com tiques é muito caricato.
Sua personagem é obcecada e detalhista, atributos ressaltados pela edição que dá closes em seus olhares e objetos sórdidos. O problema é que, dificilmente há alguma explicação lógica para suas conclusões, como por exemplo, em certo ato, a maneira como ela descobre uma porta secreta e a dedução do que estaria atrás dela. Isso gera uma incredulidade na esperança, em vão, de uma resposta plausível. O elenco ainda conta com o ator “homem de diálogos longos” Ethan Hawke como Costa, e Kiefer Sutherland como Hart. E só.
Há clichês aos montes no filme. Uma pena que sejam tão mal produzidos. Citando alguns: O contato do vilão com o herói no segundo ato. O argumento desse primeiro contato físico entre investigadora e investigado é inexplicável. Acontece no esconderijo “intuitivamente” descoberto do assassino. A desculpa para se colocar “o susto” não vale a cena fora da narrativa. Restam as explicações para o que o assassino estaria fazendo nesse local? E por qual motivo Illeana não delata seu esconderijo para a investigação virá-lo do avesso? A cena pula, sendo o fato completamente ignorado.
E mais, há o vilão tentando justificar que ambos são iguais sendo que Illeana e o assassino são de comportamento e personalidade bem distintos. Ou ainda quando ele explica o que o move a cometer tais crimes, revelando que simplesmente não era o filho preferido da mamãe. Isso faz qualquer psicólogo se incomodar com o enredo. Tudo gera um certo estranhamento, principalmente no desfecho apelativo e bizarro.

Illeana tem vários contatos com o serial killer, mas longe do suspense hitchcockiano, onde sabemos quem é o assassino logo de cara. Aqui nós deduzimos quem seja pelo roteiro ruim de “Roubando Vidas”. A inspiração do diretor estava tão fraca que faz na tomada da investigação policial a clássica cena onde o único som que ouvimos é o da respiração de Illiana, na pior cópia de “O Silêncio dos Inocentes” (The Silence of Lambs, 1991).
Ao final, D. J. Caruso se esquece de contar mais sobre o assassino e mostrar mais sobre seus assassinatos, fundamental para esse tipo de filme. O diretor contenta-se apenas em mostrar fotos penduradas em flip charts. Além de poucas vidas roubadas, que justificaria o padrão do serial, as famosas mortes diferentes são desperdiçadas. Sobra Jolie demais em cena.
Nota do Cinema Escrito: 



















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